ESPECIAL-PESSOAS CONVIDADAS👥: A Hipocrisia Funesta

A grande questão dos cúmulos da vaidosia é requerente: Finalmente para que serviu tantas e tantas, por finalmente terminar num esquife a caminho da eternidade, sendo detestado pelo seu próprio povo?
A outra questão seria, a ambivalência entre o que se Leva e o que se Deixa/Legado. Sabemos que o mero (a consideração pela pessoa) que se Deixa, nesse caso, refiro ao legado Humano e ação Política na suposta construção da sua sociedade/país (o que os incumbe) desfaz-se com o tempo, o que ajuda a deslizar para nulidade e esquecimento eterno.

Nesse caso, tanto a acção Humana como a Política, serão fracassos que retrogradam aquilo que em nome da lei, era suposto zelar e defender. Ao que se Leva, se ainda algo se leva, pois levamos sem consentimento nenhum, é pura e simplesmente o corpo e a alma.

Há quem dúvida das almas. Para essa categoria ideológica, só o corpo à eternidade vai. Para os crentes, ainda ansiosos à espera dum mundo ou paraíso novo ficarão à espera.

Ao meu ver, não acredito que pessoas desse brilho, merecem o paraíso. Se é que existe. Também me questiono. A consequência que se Deixa, torna puramente um calvário ao povo que outrora berrou estimas à essas personagens.

Toda a sociedade se refunda, se reconstrói, pagando com sangue e suor, as loucuras dos ditos potentes, sem qualquer sobressalto de paz ou felicidade. Isso não se ganha rezando à Deus.
O que se deveria Deixar (legado) à sociedade em questão, para um político culto e honesto, é talvez a loucura de ser gabado do bem feito, da exemplaridade, da honestidade, do pragmatismo, da transparência… que assim sirva à sua terra, ao seu continente, ao mundo além…

O Mobutu morreu tristemente… O Bokassa morreu tristemente… O Ben Ali/Tunísia morreu tristemente… O Kadhafi morreu tristemente… O Robert Mugabe morreu tristemente… O Nino Vieira morreu tristemente… A lista é longa.

Concluindo: Para que serve tanto, se finalmente o tanto fica? O José Eduardo dos Santos entra no campo da eternidade legando ao povo só conquistas ferrenhos e desejo-os (angolanos), boa sorte.
Diz o proverbo: Cá se faz, cá se paga. Deveriamos mesmo cá pagar, antes da incognita.

Nú Barreto, graduado pela École Nationale des Métiers de Image em 1996 em França, É conhecido pela versatilidade e multidisciplinaridade artística, exímio na mistura de cores e reciclagem de objetos em obra de arte. Barreto tem-se dedicado à pintura, desenho, fotografia e vídeo como forma de retratar a condição do ser humano no mundo contemporâneo desigual

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ÁFRICA🌍: Agricultura Sustentável um contributo indispensável no combate a fome e a pobreza

Pode-se ler um paragrafo da minha intervenção no CAFÉ DE IDEIAS AFRO-LUSÓFONO, sobre o olhar dos jovens líderes em relação a Agricultura sustentável, fome e pobreza, organizado pelo Grupo de Jovens Líderes da Comunidade de Países da Língua Oficial Portuguesa (GJL-CPLP).

“Como sabemos, a agricultura sustentável nos desafia a ter em conta três princípios: um ambiente saudável; rentabilidade económica e equidade social e económica. Então são princípios que nós jovens devemos ter bem assentes, porque, de uma forma ou de outra, ao respeitar esses princípios e trabalhar com base neles, podemos ter mais produções e maior resultado das nossas produções.”

Para uma leitura mais alargada, pode aceder ao artigo através do link aqui.

Mamadu Alimo Djaló- Cozinheiro, Sociólogo e Poeta. Idealizador do Projeto Muntu -Contrariar o Machismo

ÁFRICA🌍: Nasceu A CAEUBI (Covilhã)

Os desafios a que nos propomos, como seres humanos, comportam duas circunstâncias. Por um lado, o desafio que assumimos com alguma antecedência, e por outro, aqueles desafios que nos propomos assumir sem nenhum plano antecedente.

O que hoje escrevo, diz respeito, pessoalmente, a um dos objetivos que tinha quando cheguei à Covilhã. Mas foi um desafio coletivo e repentino, e que não pude deixar passar. Pois, quando cheguei à Covilhã, mais propriamente à Universidade, não encontrei nenhum coletivo de estudantes africanos. O que me levou a abraçar e bem a iniciativa de organizar um convívio para comemorar o Dia Da África.

A ideia inicial foi organizar uma festa e um debate com temática voltada para o continente africano, onde todos os estudantes africanos pudessem participar e comemorar o Dia da África. Com isso, manifestou-se a intenção de não ficar só pelos dois pontos que referi anteriormente (debate e festa).

No decorrer dos preparativos, realizaram-se cerca de cinco reuniões onde se discutiram questões sobre a organização da festa, do debate e também fazer com que este encontro se tornasse um marco, a partir do qual se passassem a debater assuntos relacionados com os estudantes africanos e as suas necessidade.

No que tange à festa, sabe-se que não falta comida (africana), bebida, música, dança e muita diversão. E foi o que aconteceu.

Já no lançamento da Comunidade Africana de Estudantes na Universidade da Beira Interior (CAEUBI), que será tutelada pela Associação Académica e servirá como Núcleo de Estudantes Africanos, estiveram presentes cerca de 30 estudantes, um de Timor Leste e duas do Brasil, e para além disso, marcou a presença o Provedor de Estudantes da UBI e também o Presidente da Associação Académica. Os dois dirigentes testemunharam a vontade que os estudantes africanos demonstraram e têm em deixar um marco, em termos organizativos, de modo a facilitar melhor a integração dos estudantes africanos que, muitas vezes, chegam depois do início do ano letivo e desempatados, sem ajudas nem através da Associação Académica, muito menos pelos colegas do curso.

No terceiro e último ponto desse encontro de estudantes, debateu-se o tema “Perspectivas dos Estudantes Africanos na Universidade da Beira Interior”. Sob minha moderação, pude reter principais assuntos e preocupações que dizem respeito aos africanos (no continente e nas diásporas).

Discutiu-se a questão da “fuga dos cérebros“, que está muito em voga e que diz respeito à não permanência de intelectuais africanos em África, pois procuram desenvolver as suas competências fora do continente; a temática sobre a perda do conhecimento e da valorização histórica do continente africano pelos africanos, descrita como uma necessidade de, cada vez mais, “africanizar os africanos“; empoderar os talentos africanos através da multimédia e digitalização, o que poderá incentivar uma melhor divulgação da beleza cultural e histórica do continente; falta de abertura política em receber estudantes que se formam fora do continente e que voltam para dar os seus contributos nos seus países, mas sem oportunidades; e muitos outros assuntos, como por exemplo, respeitar as vontades individuais no que toca a realizações pessoais para os que preferem viver na Europa e não em África.

Todas estas inquietações, e outras, foram manifestadas pelos estudantes de cursos diferentes, tanto em licenciatura como no mestrado. O que, a meu ver, revela dois aspetos essenciais. Primeiro, quanto mais houver abertura e valorização cultural e histórica por parte dos dirigentes políticos e associativos, mais vontade terão os estudantes em regressar aos seus países e aplicar as suas aprendizagens para um melhor desenvolvimento e crescimento do continente (no sentido geral); segundo, diz respeito ao compromisso pessoal que cada estudante na diáspora deve assumir, ou seja, procurar saber mais sobre a África e construir um sentido crítico a partir de um olhar africano para o continente e para o mundo.

É mais do que certo que estas duas visões necessitam de alicerces a vários níveis, que passam inevitavelmente por uma melhor educação no continente, que possa incentivar crianças, adolescentes e jovens a saberem e conhecerem mais o continente e que não crie margens para dúvidas quando se colocam questões como: “preferes estudar em África ou fora de África? ou quando acabares voltas para o teu país ou não?”

Contudo, há uma certeza que se vinca nos olhares e nas intervenções dos jovens Estudantes Africanos na UBI, que é a de ver o continente como modelo para a humanidade em todos os sentidos, em que esses mesmos jovens querem fazer parte dessa construção de uma África mais presente e positiva aos olhos do mundo.

Nasceu assim a primeira Comunidade Africana de Estudantes na Universidade da Beira Interior com sigla CAEUBI e que pretende trabalhar com a Associação Académica, o Provedor de Estudantes e com a Direção da Universidade para melhorar a forma de integração dos estudantes africanos na Universidade e também na cidade da Covilhã.

A maior parte da responsabilidade está nas mãos dos Estudantes Africanos em fazer existir esta comunidade e que ultrapasse a fronteira da Universidade, da cidade e do país, e ao mesmo tempo que não se limite só a comemoração do Dia da África.

Obs: esta é a categoria ou coluna que faltava neste blogue. Ou seja, a quinta secção do blogue passa a ser ÁFRICA🌍. Nesta abordarei questões relacionadas com o continente e também sobre assuntos em volta dos africanos no continente e nas diásporas.

Mamadu Alimo Djaló: Cozinheiro, Sociólogo e Poeta. Idealizador do Projeto MUNTU – CONTRARIAR O MACHISMO